terça-feira, 25 de outubro de 2011

25 a 31 de Outubro: Semana Internacional EB

Está aí a Semana Internacional de Consciencialização para a EB. À semelhança do ano passado tenciono actualizar o blogue todos os dias.
Hoje fui à procura de imagens de borboletas e encontrei esta: um coração cheio de borboletas. É assim que tem de estar o nosso, não só esta semana como todos os dias do ano. Lembrarmo-nos de que todos os dias são bons para festejarmos os nossos filhos, cuja pele é feita de asas de borboletas.
A minha filha é a minha heroina. Todos os dias convive com dores insuportáveis e ainda assim é uma criança alegre, brincalhona, solidária e corajosa!
A DEBRA tem uma série de iniciativas a decorrer esta semana, visite a página web da associação para ficar a conhecer melhor esta doença e o que pode fazer para ajudar a associação.

IN ENGLISH: International Epidermolysis Bullosa Awareness Week started today. Like last year, I intend to publish posts daily this week.
Today I browsed the web looking for Butterfly pictures and found this one: a heart made from butterflies. This is how I feel our heart should be everyday and not only on EB Awareness week. We should always remember that each day we should celebrate our children whose skin is as fragile as butterfly wings.
My daughter is my hero. Everyday she is in pain but that doens't stop her from being happy, fun, loving and brave!
DEBRA International is sponsoring a series of events this week so why don't you visit the International DEBRA website to find out how you can help your local DEBRA organization!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Epidermólise Bolhosa Distrófica Recessiva (RDEB)

Na passada semana ficamos a saber que a Diana tem a variante Recessiva da Epidermólise Bolhosa Distrófica, sendo classificada como RDEB – other.



A Epidermólise Bolhosa Distrófica é um dos tipos principais de EB. Os sinais e sintomas desta variante da doença variam muito de indivíduo para indivíduo. Nos casos mais leves, as bolhas e feridas afectam sobretudo as mãos, pés, joelhos e cotovelos. Nos casos mais severos, há feridas e bolhas em todo o corpo que podem levar à perda de visão, desfiguração e outros problemas médicos mais sérios.



Os investigadores classificam a Epidermólise Bolhosa Distrófica (DEB) em três tipos principais. Embora os tipos variem em severidade, as suas características sobrepõem-se significativamente e são causados pelo mesmo gene. O tipo Dominante frequentemente diz respeito a sintomas e sinais mais leves, com as bolhas limitadas às mãos, pés, joelhos e cotovelos. Sendo que nos casos mais leves existe apenas malformação das unhas, como no caso do meu marido.



O tipo mais severo e clássico desta doença designa-se de epidermólise bolhosa recessiva tipo Hallopeau-Siemens. As crianças afectadas nascem com feridas no corpo todo incluindo frequentemente áreas do corpo onde não existe pele devido ao trauma do nascimento. Frequentemente as bolhas ocorrem no corpo todo e afectam as membranas mucosas, sobretudo na boca e esófago. A cicatrização da boca e esófago podem levar a que seja difícil mastigar e engolir comida, levando à subnutrição e consequente atraso no crescimento. Outras complicações prendem-se com a fusão de pele dos dedos, perda de unhas, deformações das articulações que podem restringir os movimentos, inflamação ocular que pode levar a perda de visão. Para além disso, jovens adultos com estaforma de EB têm um elevado risco de desenvolverem um tipo de cancro de pele (carcinoma) que é invulgarmente agressivo e frequentemente põe a vida dos pacientes em risco.



Um outro tipo de epidermólise bolhosa recessiva é conhecida como tipo non-Hallopeau Siemens. Esta forma da doença poderá ser menos severa e inclui um vasto espectro de subtipos. As bolhas ocorrem nas mãos, pés, joelhos e cotovelos mas também podem ser mais generalizadas em casos mais severos. Os doentes frequentemente têm malformações nas unhas. Este tipo acarreta feridas e cicatrizes nos sitos onde ocorrem as bolhas mas poderá não causar as características mais severas do tipo clássico.

Os três tipos de DEB são causados por mutações no gene COL7A1. Este gene fornece instruções para a proteína que é usada para o colagénio tipo 7. Colagéniso são moléculas que dão estrutura e força às membranas de ligação, como a pele, tendões e ligamentos no corpo todo. O colagénio tipo 7 desempenha um papel importante no fortalecimento e estabilização da pele. É o componente principal das estruturas que fazem ancoragem da pele.

No caso da DEB recessiva ambas as cópias do gene COL7A1 têm mutações. Frequentemente, os pais de um indivíduo com esta forma de doença têm uma cópia da mutação do gene, mas não têm sintomas nem sinais da doença. Foi o nosso caso, ambos temos mutações no gene que transmitimos à Diana.
http://www.eurogentest.org/patient/leaflet/portuguese/recessive_inheritance.xhtml

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"O que interessa é ter saúde!"

Pensei muito antes de escrever este post. Queria fazer um post positivo sobre as últimas semanas mas chego aqui sem saber muito bem como começar este post. Quem quiser ler um post positivo e alegre que leia outra coisa!

Quem já leu este blog sabe que quando a minha filha nasceu, apareceram quase imediatamente umas bolhas nos pés e algumas borbulhas brancas nas mãos. A princípio não liguei muito pois pensei que fosse alguma reacção alérgica aos cremes. O Pediatra pensou o mesmo, pelo que fomos tentando alguns cremes diferentes. Foi só aos seis meses de idade que ouvi falar de Epidermólise Bolhosa. O que descobri online deixou-me completamente angustiada, horrorizada. Mas este post não é sobre essa história… aliás poderão lê-la noutros textos deste mesmo espaço.

Desde o primeiro momento em que ouvi falar disto, em que pesquisei isto, em que tomei conhecimento de outros casos, é cada vez mais difícil manter uma cara feliz e indiferente perante os outros. Vamos de diagnóstico em diagnóstico com algumas incertezas, até à incerteza acabar, e um dia parece-nos que a esperança morre, a luz do fundo do túnel se apaga em definitivo.

Desde o inicio da aventura, todos os bem intencionados nos têm dito que o caso da Diana não é preocupante, não é dos mais graves, não há necessidade de preocupação maior… E assim temos vindo de diagnóstico em diagnóstico, de consulta em consulta: Talvez seja Epidermólise Bolhosa Simples, talvez Epidermólise Bolhosa Distrófica Dominante, talvez… talvez… nada de preocupante… mas sempre cá no fundo e após ler e ler e ler… ficava com a sensação estranha de “Ok, mas a minha filha também tem este sintoma, e mais este, e este?? Será que ninguém me liga?”Foi apenas no encontro da Raríssimas que soube a resposta… pela boca de um geneticista do Hospital Dona Estefânia: É uma doença com uma multiplicidade de sintomas e configurações tal que é altamente improvável que a maior parte dos clínicos, ainda que especialistas, se confrontem com casos destes. Sendo também pouco provável a semelhança entre os casos. E é assim que é possível recebermos os resultados dos testes de ADN: Epidermólise Bolhosa Distrófica RECESSIVA. Tanto eu como o meu marido somos portadores de alterações ao gene COL7A1. Isso mesmo ficamos a saber na segunda-feira passada.

O chão fugiu-me dos pés… basta ler um pouco sobre esta variante da doença para efectivamente a reacção não ser a melhor…. Mesmo enquanto escrevo isto, tenho um nó na garganta e só me apetece mesmo revoltar-me contra todo e todos! Mas este post também não é sobre o que está bem ou mal na saúde… Esta doença está a deixar-me cansada, farta de tudo e de todos! E já me ensinou muito… ensinou-me que os diagnósticos não são definitivos… mas também me ensinou que só podemos caminhar nos nossos próprios sapatos e que a caminhada é tantas vezes solitária.

Todas as pessoas são bem intencionadas. Mas não querem chatices… por isso, se alguém nos pergunta como estamos, a resposta que todos querem ouvir é: Bem, Obrigado! Durante muito tempo, acreditei que os mais próximos poderiam acompanhar-nos nestas viagens difíceis, mas o que já aprendi é que ninguém está disponível para nos ouvir. Mesmo que queiram ouvir, isso apenas serve para um dia mais tarde nos atirarem os seus preconceitos devolvidos em jeito de projecção catastrófica: “Precisas de te tratar!” “O que interessa é ter saúde!” “Problemas tem o meu pai!” “Devias ir a um psiquiatra!”

Entretanto, para não ser mal interpretada, é preciso esclarecer: “Sou uma pessoa feliz, tenho o melhor marido do mundo e os filhos mais carinhosos! Sou profissionalmente realizada! Vivi onde sempre quis, fiz e tive sempre aquilo que quis!” Mas o que realmente interessa não é termos saúde, o que realmente interessa é lutarmos para que os nossos filhos tenham uma vida melhor do que a nossa, no caso da minha filha é minorar substancialmente as dores que ela acha que são normais, vigiar cuidadosamente as feridas, verificar não há feridas internas, dar-lhe todos os dias carinho como se fosse o último. E desculpem, mas não vou dizer que “estou bem, obrigado!” quando não estou. Não vou fingir… se quiserem que alguém finja, vão ao circo ou ao teatro ou ao cinema, porque aqui, lamentavelmente não vamos fingir! Problemas tem o teu pai? O teu pai nunca teve de se preocupar com uma doença crónica dos filhos, com uma doença que a qualquer momento pode matar um filho, com uma doença visível e alvo dos preconceitos e ignorância de todos, com uma doença que nos leva mais de 40% do orçamento familiar em tratamentos, com uma doença da qual o Serviço Nacional de Saúde nada quer saber. E isto não são problemas… são apenas desabafos, se não estás com disponibilidade para ouvir, afasta-te porque eu não estou com disponibilidade para me calar! Não vou esperar em silêncio nem sentada! Vou barafustar e agir para que todos os que têm EB possam ter uma vida melhor (incluindo a Diana)! E tenho muita pena de ti, que não quiseste fazer este caminho comigo, podias ter descoberto que a vida não é só andarmos aqui a falar mal uns dos outros enquanto dá o futebol na TV!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sapatos?


Na fotografia talvez não se veja bem, mas foi este o estado em que os pézinhos da Diana ficaram após usar o dia todo uns sapatos de menina de sola normal: inchados, vermelhos, cheios de pequenas escoriações e bolhas nos dedos. Mais uma vez, não se queixou... acho que já deve achar que as dores são o estado natural da vida. Nós só descobrimos à noite quando fomos vestir-lhe o pijama e constatamos que os pés pareciam duas batatas. Ao toque gritou e barafustou connosco... A minha vontade era deitar logo os sápatos no lixo e bater em mim própria por ter escolhido os sapatos para ela vestir. A partir daqui, quer fique bem quer não, é só tenis e sandálias maleáveis.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Semana Internacional de Epidermólise Bolhosa

Vem aí a Semana Internacional de Epidermólise Bolhosa, de 25 de Outubro a 31 de Outubro. Espero nessa altura ter tempo e disponibilidade para actualizar o blog diariamente, como aliás fiz o ano passado. Seria importante desenvolver outro tipo de iniciativas locais para festejar esta semana.
Nos Estados Unidos, organiza-se muito facilmente caminhadas, corridas, barbeques, bake sales... Em Portugal é cada vez mais difícil mobilizar seja quem for para qualquer coisa. As pessoas não querem saber, e muito menos agora que "estamos em crise". De qualquer modo, para quem quiser colaborar, aceitam-se ideias para essa semana.

Já existem algumas (poucas) iniciativas no nosso país: A CPA Events está a organizar um Butterfly Ball a favor da DEBRA Portugal, no Hotel Hilton, Vilamoura, Algarve para o dia 29 de Outubro.

Fora do nosso país, a DEBRA Internacional promove um encontro na Holanda de 28 a 30 de Outubro.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O significado de um nome

Diana, segundo a mitologia romana, é a deusa da caça e da lua, sendo associada aos animais selvagens e à floresta, tendo o poder de comunicar com os animais e controlá-los. O culto de Diana, comum a gregos, romanos e celtas, continua persistir nos dias de hoje influenciando não só religiões actuais, como criações artísticas. Diana é também o nome da personagem de banda desenhada mais feminista de sempre: a Mulher Maravilha ou Wonder Woman, de quem fui fã durante grande parte da minha infância, devido à série protagonizada por Linda Carter. Nas palavras do seu autor americano, o objectivo na criação desta personagem em 1941 foi fornecer ao mundo um ídolo claramente feminista cuja missão seria promover os ideais de paz, amor e igualdade sexual num mundo dividido pelo “ódio masculino”.
Não sou daquelas pessoas que ligam ao determinismo das estrelas, números ou significados de nomes. Durante toda a minha vida fui acossada por pessoas que acreditam em tal coisa, procurando vislumbrar nas minhas decisões e acções uma provável razão inscrita no destino estelar, na história bíblica associada ao meu nome ou mesmo na conjugação falaciosa dos números da minha data de nascimento. Acredito no livre arbítrio que cada um de nós tem em construir o seu próprio destino. Quando escolhi o nome dos meus filhos, essa decisão foi tomada em conjunto com o meu companheiro de paternidade. E se houve um consenso no nome do primeiro filho, decidido praticamente desde que nos conhecemos, sem ligarmos grande coisa a significados, mas aliados num gosto pessoal. O nome da nossa princesa já não foi tão consensual.
Partindo de posições diferentes. Foram várias as pessoas que nos deram a sua opinião face aos possíveis nomes e todas teimando que deveria ser um nome com significado histórico ou familiar ainda que moderno o suficiente para acompanhar a geração de pares da bebé. Algumas pessoas preferiam nomes de avós, outras nomes de rainhas portuguesas ou mesmo de princesas espanholas, eu própria preferia um nome tradicional madeirense. Durante algum tempo não houve nenhum acordo e não foi tomada nenhuma decisão, e embora a maior parte das pessoas concordassem, a possibilidade de a minha filha se chamar Leonor, com o diminutivo Nô-Nô, deixava-me aterrorizada. “Nô-Nô???? Poupem-me!”
Já não me lembro bem como chegamos a Diana. No entanto, pareceu-me fazer todo o sentido. Diana. Porque não? É pequeno, simples, moderno. Sei que fui eu que escolhi o nome. “Mais um nome de princesa???” Foi a primeira reacção negativa. Não, Diana não é um nome de princesa ou de rainha. É um nome de Deusa. Por isso esqueçam de tentar afogar a minha filha em significações paranormais ou determinísticas: a minha filha vai ser o que ela quiser e vai ser dona do seu próprio destino. E sem dúvida que vai ser uma Mulher - Maravilha.
Fonte 2

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A meio do verão...


O verão já está quase no fim e parece que nem chegou a começar... já fomos de férias, já estamos de volta ao trabalho. Este ano as férias foram mais curtas, o que também é reflexo da crise. Será que para o ano poderemos finalmente viajar??
De pele estivemos assim assim, como é costume nesta altura. O calor aperta e o suor faz das suas. Os pés da princesa estão uma lástima. Cheios de feridas nos dedos, nos calcanhares. A culpa é nossa pois fazemos-lhe sempre a vontade de andar sem meias, quando sabemos de antemão que são cruciais para evitar a fricção dos sapatos directamente na pele. Os joelhos... bem, não me falem dos joelhos! Quando pensamos que será desta que finalmente os joelhos vão ficar bons, eis que o calor faz mais uma bolha, ou a princesa escorrega e cai, ou uma festa com carinho transforma-se numa ferida dolorosa... E volta tudo ao mesmo, e temos de ir a correr para casa fazer pensos, pôr ligaduras... E as incessantes questões de quem nos apanha na rua: "O que é que a menina tem?" "Caiu?" "Quem te fez o dói-dói?"
Ela lá anda toda satisfeita, a fazer traquinices, a mandar no irmão mais velho, a fazer as maluqueiras que lhe dão na cabeça... a viver desalmadamente! Cantarola músicas infantis, dança ao ritmo da Shakira, risca e rabisca folhas e paredes, apaixona-se por animais e depois por princesas e depois por chapéus... Sabe perfeitamente o que quer vestir todos os dias da semana. Conta até três. Folheia os livros do irmão. Rasga-os para fazer barcos de papel, coisa que muito impressionou o pediatra. Controla a música que ouvimos no carro e os canais que vemos na televisão... e quando a vida lhe corre mal grita com todos os seus pulmões: "Cala eeee já!" É a nossa artistazinha de serviço.
Deste lado só temos de cruzar os dedos e rezar para que não dê muitos encontrões,não caia, que a coisa não corra mal! Pelo sim pelo não, há que andar sempre com um kit de prontos socorros na carteira.